terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Resgate da valorização do trabalho médico será um desafio, diz diretor da ANS

FENAM - "Resgate da valorização do trabalho médico será um desafio", diz André Longo, novo diretor da ANS

"Resgate da valorização do trabalho médico será um desafio", diz André Longo, novo diretor da ANS

 

Foto: Simepe

André Longo já foi diretor da Federação Nacional dos Médicos

 

10/01/2012
Após a aprovação de seu nome pelo Senado, ele listou o resgate da valorização do trabalho médico como um desafio

O plenário do Senado referendou, no dia 13 de dezembro, a indicação de André Longo Araújo de Melo para exercer o cargo de diretor da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Longo é médico graduado pela Universidade de Pernambuco (UPE) e atualmente ocupa o cargo de conselheiro federal suplente por Pernambuco no Conselho Federal de Medicina (CFM). É também vice-corregedor e ex-presidente do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe).

A indicação foi aprovada na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), em 30 de novembro, após sabatina, e então encaminhada ao plenário da Casa. Veja abaixo a entrevista de André Longo ao jornal Medicina sobre os principais desafios na relação atual da ANS com os médicos:

Como o senhor recebeu a notícia da indicação?

Fiquei honrado com a confiança do ministro Alexandre Padilha e da presidenta Dilma Rousseff em submeter meu nome para apreciação do Senado Federal. Estou satisfeito com o debate no Senado e com a aprovação. Encaro como missão ajudar a regular, com equilíbrio, assegurando o interesse publico, este setor tão importante que hoje envolve mais de 46 milhões de beneficiários de planos de assistência médica, mais de 15 milhões de beneficiários de planos exclusivamente odontológicos, 1600 operadoras ativas, mais de 130 mil prestadores médicos, além de milhares de odontólogos, laboratórios, clínicas e hospitais.

Quais os principais desafios na relação atual da ANS com os médicos?

Venho de longo período de atuação nas entidades médicas, sei que há muita expectativa de mudanças. A reclamação central dos médicos e das entidades é a desvalorização do trabalho do médico ocorrida ao longo das últimas décadas. Os honorários médicos não foram reajustados na mesma medida do crescimento do setor, perderam força quando comparados aos recursos que foram mobilizados para os gastos com tecnologia, notadamente para pagamento de materiais e medicamentos.

Um dos grandes desafios para a agenda regulatória da ANS é como promover o resgate da valorização do trabalho médico de qualidade, chamado artesanal, como nas consultas, visitas hospitalares e cirurgias, não atrelado, necessariamente, à tecnologia. Embora não tenha competência legal para arbitrar valores e reajustes de honorários, a ANS reconhece a defasagem dos honorários médicos e deve buscar, pela rediscussão do modelo de pagamentos de prestadores, um maior equilíbrio, haja vista que esta realidade tem trazido dificuldades para o setor

Como será a atuação do senhor na diretoria da ANS?

A agenda regulatória que está em curso é ampla e desafiadora. Muito já foi feito e ainda há muito mais por fazer. Acredito que a regulação deve estar em constante evolução e deva ser dinâmica, educativa, participativa, e transparente nas ações. Toda a agenda regulatória deve ser cumprida, com ênfase na sustentabilidade do setor, no estímulo à concorrência, na prevenção de doenças e na assistência ao idoso, na qualidade assistencial e na assistência farmacêutica, na integração com o SUS e no ressarcimento devido, no aprimoramento da contratualização e na valorização dos prestadores e de sua relação de dedicação e qualidade com os pacientes. Assim conseguiremos atingir patamares de mais qualificação na saúde suplementar, que deve ser o objetivo maior de todos os compromissados com o setor.

Fonte : Jornal Medicina 203

SINDICATO EXPRESSSO: SUS EM CRISE NO SERGIPE - MÉDICOS EM LUTA CONTRA MÁS CONDIÇÕES DE ATENDIMENTO

Infonet - Saúde - Médicos brigam em função de deficiência do Samu

Médicos brigam em função de deficiência do Samu
Diretor do Huse diz que brigas entre médicos são frequentes

 

Médicos do Huse entram em conflito com profissionais do Samu (Foto: Cássia Santana/Portal Infonet)

No final de semana, a Delegacia Plantonista recebeu mais uma reclamação de servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) envolvendo desavenças e brigas entre médicos que atendem no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e profissionais do serviço 192, leia-se Samu. De acordo com denúncia feita por uma auxiliar de enfermagem, toda a desavença aconteceu devido à atitude de uma médica que estava de plantão no Huse, que teria se recusado a prestar atendimento a uma paciente, que fora transportada àquela unidade de saúde por uma ambulância do Samu.

A auxiliar de enfermagem garante que um outro médico que estava no plantão teria percebido a desavença entre os servidores do Samu e a médica plantonista e decidiu intervir prestando atendimento à paciente. A médica, por sua vez, reagiu, segundo informações da auxiliar de enfermagem prestadas à Polícia, e tomou o rádio da auxiliar, para travar uma briga – via rádio – com um outro médico que presta serviços ao Samu.

O coordenador geral do Pronto Socorro do Huse, Luís Eduardo Prado Correia, diz que as desavenças e brigas entre os profissionais tornaram-se “conduta constante” devido às deficiências do Samu. “Falta ao Samu fazer a regulação”, diz. “Antes de encaminhar o paciente ao hospital, o Samu tem que comunicar à equipe que está de plantão no hospital e falar sobre o caso. Mas o pessoal do Samu acha mais fácil trazer de qualquer jeito. O Huse, de complexo atendimento, está atendendo a procedimento da rede básica, justamente porque não há regulação”, exemplifica o coordenador do PS.

Entre os servidores do Samu, a sensação é que o problema é gerado por falta de gestão. “O que a gestão tem feito é colocar um profissional contra o outro”, lamenta o diretor do Sindicato 192 dos Servidores do Samu, Arnaldo Júnior. “Falta respeito por parte dos gestores”, diz.

Quanto ao caso concreto, Arnaldo Júnior informa que o Sindicato 192 ainda não recebeu informações detalhadas, mas que adotará medidas para fazer um levantamento minucioso sobre a ocorrência para posterior adoção de medidas.
Procurada pelo Portal Infonet, a Secretaria Municipal de Saúde se manifestou por meio de nota encaminhada pela Assessoria de Comunicação. Na nota, a assessoria informa que, ao contrário do que pregou o coordenador do Pronto Socorro do Huse, o coordenador clínico da Secretaria Municipal de Saúde, Wesley Santiago, garante que a situação da paciente em questão era grave, excedendo a complexidade das unidades de pronto atendimento de Aracaju. “Ou seja – explica a nota - os exames e a atenção especializada que o caso necessitava eram de alta complexidade, enquanto a rede municipal trabalha com casos de baixa e média complexidade”.

O coordenador clínico da Secretaria Municipal de Saúde informa ainda que, como o Huse é “um serviço porta aberta e de referência para este tipo de caso, a paciente foi encaminhada para aquele hospital”.

CRM

O coordenador geral do Pronto Socorro do Huse, Luís Eduardo Prado Correia, informou que já encaminhou denúncia ao Conselho Regional de Medicina sobre as ocorrências envolvendo brigas entre os profissionais do Samu e os plantonistas do Huse, solicitando a intervenção da entidade. Ele informou que até o momento não recebeu respostas do CRM.

O Portal Infonet tentou ouvir representantes do Conselho Regional de Medicina, mas não obteve êxito. O presidente, Júlio Seabra, não atendeu a ligação nem também retornou o contato com o Portal.

O Portal Infonet permanece à disposição para os devidos esclarecimentos do CRM.

Por Cássia Santana

SINDICATO EXPRESSO: MÉDICOS DO MT PARALISAM ATIVIDADES POR FALTA DE SALÁRIO.

Mais um retrato de um SUS em crise.

A falta de uma política séria de recursos humanos, que dê trabalho decente aos médicos, com cargos, carreira e remuneração decentes e condições adequadas de atendimento ao público vem refletindo em inúmeros conflitos que se espalham pelo Brasil. Cada vez mais a categoria reage à repressão orquestrada para diminuí-la. Agora é a vez dos médicos de Vargem Grande mostrarem, mais uma vez, a cara nessa luta que varre o Brasil. Respondem à omissão do empregador público de seu dever mais sério: o da remuneração do trabalhador. Leia no link abaixo a notícia completa.

VG: Médicos decidem amanhã sobre greve

Os médicos do município de Várzea Grande podem decidir nesta quarta (11) se entram ou não em greve. Os 300 profissionais contratados pela extinta Fundação de Saúde de Várzea Grande (Fusvag), foram desligados do órgão com a mudança da gestão para a Secretaria Municipal de Saúde, mas têm a promessa de serem recontratados pela Prefeitura e de receber os cinco meses de salário atrasado.

O Sindicato dos Médicos (Sindimed) se diz preocupado com a possibilidade de não pagamento dos salários. Num acordo fechado na semana passada entre as partes, a Prefeitura se comprometeu a quitar os pagamentos assim que começar a receber os repasses de R$ 2,4 milhões a ser feito pela Secretaria de Estado de Saúde  (SES), o que não tem data prevista para acontecer.

A assembléia será na frente do Pronto Socorro Municipal de Várzea Grande, às 19 horas.


Neusa Baptista – Da Redação
Foto: Mary Juruna

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Sindicato Expresso: Médicos catarinenses supendem atendimento a 15 planos de saúde

O movimento pela valorização do trabalho médico diante das operadoras de plano de saúde tem revelado uma relação entre capital e trabalho extremamente conflitiva. O ano passado esse conflito de interesses foi marcado por um dia de paralisação nacional, deixando claro a insatisfação dos médicos para com as operadoras perante a opinião público e os usuários que sustentam os planos de saúde. Vários movimentos locais foram desencadeados o ano passado. E nesse ano, os médicos catarinenses iniciam o movimento com a paralisação de atendimentos para quinze operadoras, que fogem ao diálogo e remuneram mal os procedimentos.

Leia a notícia completa em

Jornal Metropolitano / SC - Um jornal a serviço da comunidade catarinense

Médicos suspendem atendimento a mais de 15 planos de saúde a partir de terça-feira
Capa - 09/01 - 15h04min

A falta de um acordo a respeito de reajuste de remuneração a consultas e procedimentos médicos forçou os médicos catarinenses a suspenderem a partir das 8h do dia 10 de janeiro, por tempo indeterminado, os atendimentos aos planos de saúde do grupo Unidas.

Divulgação


Mapa de Santa Catarina

“Estes planos historicamente sempre foram parceiros das entidades médicas. Porém, a categoria chega a um momento de busca de valorização profissional em que os valores praticados pelos planos de saúde não garantem mais a sustentabilidade de consultórios e muito menos a continuidade de aperfeiçoamento profissional. Os médicos entendem que a implantação em Santa Catarina da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) sem redutores tem que ser adotada pelas operadoras de planos de saúde”, afirma o presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Santa Catarina (SIMESC), Cyro Soncini.

O presidente do Sindicato explica que a CBHPM foi elaborada há uma década e desde então os médicos em todo o país lutam para que ela seja o referencial de remuneração. De acordo com a classificação, uma consulta médica, por exemplo, teria que custar R$ 65. No entanto, as operadoras alegam que este valor inviabilizaria financeiramente as empresas. “O reajuste dos planos de saúde é repassado religiosamente aos clientes todos os anos e esse reajuste não chega ao médico. Precisamos acabar com essa condição de que o cliente paga e a disponibilidade de médicos diminui a cada dia porque de alguma forma esse reajuste não é repassado aos profissionais”, comenta Soncini.

Ainda de acordo com o presidente do Sindicato, dados da Agência Nacional de Saúde (ANS) apontam que na última década o setor de saúde suplementar cresceu em ritmo inédito. “É um grande negócio para as operadoras porque os pacientes têm cada vez mais dificuldade em agendar uma consulta e os médicos vem-se obrigados a deixar de atender porque a remuneração não é atrativa. É um mercado, mas que no momento beneficia somente uma ponta. Se plano de saúde não desse lucro estaríamos vendo operadoras fechando. E não é bem isso o que está acontecendo”.

O Sindicato dos Médicos, integrante do Conselho Superior das Entidades Médicas de Santa Catarina (COSEMESC), orientou os médicos que atendam os pacientes do grupo Unidas mediante o pagamento do valor da consulta de R$ 65. Da mesma forma devem proceder em relação a outros procedimentos médicos. Os médicos devem emitir um recibo para que os pacientes busquem o reembolso com as operadoras.

Integram os planos de saúde do grupo Unidas Assefaz, Brasil Foods, Capesesp, Cassi, Celos, Conab, Correios Saúde, Eletrosul, Elos Saúde, Embratel, Fassincra, Funservir, Geap, Petrobrás, Proasa, Pró-Saúde Alesc, Saúde Caixa, Sesef, Tractebel Energia e outros planos regionais, incluindo o SC Saúde do Governo do Estado..

TRABALHO TERCEIRIZADO - REGULAMENTAÇÃO É DISCUTIDA NA CÂMARA FEDERAL

Trabalho terceirizado é tema de discussão na Câmara. Deputado Marco Maia diz que o projeto vai dar mais segurança a empregados. Berzoini declara que tema tem que ser mais discutido, por suas inevitáveis implicações na organização do trabalho e da produção. O trabalho terceirizado no serviço público não foi apreciado nas discussões sobre o projeto e ainda é um problema sério a desafiar sindicatos, políticos, governantes, trabalhadores, advogados, juízes, Ministério Público, STF e a organização do trabalho no serviço público. Oferecemos a matéria abaixo para reflexão e discussão.

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Projeto que regulamenta trabalho terceirizado é prioridade para 2012 na Câmara

A aprovação do projeto de lei (PL 4330/04) que regulamenta o trabalho terceirizado no Brasil e concede mais segurança aos empregados é uma das expectativas do presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), para 2012.

“Eu tenho expectativa, de que no início desse ano, nós possamos votar regras mais claras e objetivas que protejam os trabalhadores terceirizados”, disse.

A ausência de um marco legal sobre a terceirização – que não garante a esses trabalhadores os mesmos direitos dos que são contratados diretamente pelas empresas – é a maior preocupação dos sindicalistas.  Sem regulamentação, a única referência da terceirização é a Súmula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

No ano passado, Marco Maia determinou a criação de uma Comissão Especial para discutir o assunto.  O colegiado – que não tem prazo determinado para concluir os trabalhos – tem como objetivo promover estudos e apresentar proposições voltadas à regulamentação do serviço terceirizado para os setores público e privado.

Apensada ao PL 5439/05, a proposta – desarquivada por duas vezes a pedido do autor – já recebeu sugestões das Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e de Trabalho e de Administração e Serviço Público da Câmara. No momento, aguarda parecer na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).

O deputado Ricardo Berzoini  (PT-SP), que integra a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara reafirmou o compromisso da bancada do PT com os trabalhadores brasileiros. “Somos contra a precarização das relações de trabalho com a terceirização da mão de obra”, disse.

Segundo ele, os sindicatos dos trabalhadores estão se mobilizando para apresentar ao Congresso um conjunto de princípios e conceitos que vão estabelecer os limites para evitar a “terceirização fraudulenta”.

Para Berzoini é preciso ter “equilíbrio” na apreciação da proposta de regulamentação da terceirização do trabalho por ser um tema de relevância para o futuro do país ao tratar da organização da produção e do trabalho. “Mas esse projeto está desequilibrado por ser mais amigável às empresas na questão da terceirização”, destacou o parlamentar.

O deputado Policarpo (PT-DF), que integra a Comissão Especial, acrescentou que o PT tem trabalhado para não permitir que atividade fim das empresas sejam terceirizadas; para exigir a participação dos sindicatos em todos o processo, quando houver terceirização; para garantir a igualdade de direitos e também para cobrar a responsabilidade solidária das empresas que terceirizam.

Dados – Segundo o IBGE, a terceirização liderou o avanço das vagas formais no País: um crescimento de 36,5% entre 2003 e 2010. Foram mais de 1,5 milhão de pessoas empregadas entre 2009 e 2010, e atualmente, são 8,2 milhões de terceirizados – 22,2%- do total de 37 milhões de trabalhadores formais. O estudo mostra ainda que cerca  de 68% dos trabalhadores terceirizados têm carteira assinada, superando a indústria, com 66,7%, no ano passado.

O PL 4330/04 ainda precisa ser aprovado, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, antes de seguir para o Senado.

Ivana Figueiredo com Agência Câmara

 

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Fax Sindical 973 - 03.01.2012

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***** FAX SINDICAL 973 *****

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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata de Minas Gerais - 02 de janeiro de 2012
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O
EDITORIAL - 2012 SERÁ ANO DE LUTAS E MUITA ESPERANÇA.

Como médicos e como cidadãos, o momento é de ação e não de alheiamento.


Deseja o Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata um feliz 2012, a toda a classe médica, à qual a organização sindical deve a obrigação da representação classista e de fazer avançar a organização do trabalho.

O ano de 2011 foi histórico na luta médica em Juiz de Fora. Marcou-o uma luta nunca dantes vista pela dignidade profissional. Uma greve de 40 dias, cessada pelo poder coercitivo do TJMG (Tribunal de Justiça de Minas Gerais) foi um marco histórico da vontade de luta por trabalho decente, o que inclui salário digno e condições adequadas para atender a população. Houve atos públicos, paralisações e manifestos que contrastaram a vontade da atual administração municipal em sonegar concursos públicos para a área de saúde, em que pese a carência de pessoal. Faltou vontade política da administração do Prefeito Custódio Mattos para valorizar o trabalho médico, mantendo os salários em patamares inaceitáveis, afugentando profissionais e sucateando a mão de obra qualificada disponível.

Não tendo sido resolvidas as questões fundamentais desse imenso contencioso trabalhista e sanitário entre a classe médica e a Prefeitura de Juiz de Fora é de se prever que 2012 será um ano de intensas lutas, em todas as frentes. A recusa sistemática do Prefeito Custódio Mattos em receber oficialmente a representação classista dos médicos é prova cabal de sua má vontade política em relação aos problemas apontados. Há que se considerar a imensa decepção que a atual administração causou nos muitos médicos que, esperançosos, votaram em Custódio e agora testemunham a ruína dos seus empregos e do sistema público de saúde.

A Diretoria do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora não crê que deva existir uma Medicina pobre, precarizada e enfraquecida para os pobres. Defende a qualidade dos serviços públicos de saúde. Esses serviços são essenciais e a Constituição determina que são dever do Estado. Em Juiz de Fora, existindo a gestão plena do SUS, são dever do governo municipal.

Lamentamos que o atual prefeito, mesmo vendo aprofundar as dificuldades e limitações do SUS local fique prometendo soluções e não aceita a discussão livre e democrática, o debate aberto com o Sindicato dos Médicos, que muito poderia contribuir, por meio de pactuações e acertos, para resolver pendências trabalhistas e problemas relativos a condições e segurança do trabalho. São distorções que minam o SUS local e causam danos de médio e longo prazo.

Mas a mensagem que o Sindicato tem a transmitir aos médicos é de esperança. Em meio a desilusões e frustrações estamos dispostos a mostrar por meio do exercício da nossa profissão e da nossa cidadania, que dias melhores serão possíveis.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

FAX SINDICAL 972 - SOS MÉDICOS DE JUIZ DE FORA: FELIZ NATAL

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***** FAX SINDICAL 972 *****

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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e da Zona da Mata de Minas Gerais - 23 de dezembro de 2011
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O FAX SINDICAL DESEJA A TODOS OS SEUS LEITORES, AMIGOS, COLABORADORES, DIRIGENTES SINDICAIS, MÉDICOS, SERVIDORES PÚBLICOS E A TODOS OS QUE COLABORAM COM O ESSE TRABALHO E ESSA LUTA, UM NATAL MUITO FELIZ E UM ANO NOVO MELHOR.

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PRIVATARIA AVANÇA IMPUNEMENTE NO SUS DE JUIZ DE FORA

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O anúncio da Secretaria de Saúde do município de Juiz de Fora de que os laboratórios de análises clínicas da Prefeitura seriam entregues à entidade ACISPES, revela que a administração do tucano Custódio Mattos segue pelos atalhos da privataria.

Esse processo foi iniciado de forma sistemática e como política de governo pelo atual prefeito de Juiz de Fora. O primeiro passo foi a entrega do governo e a intermediação de mão de obra para o serviço público nas UPAS de São Pedro e Santa Luzia. Ambas instaladas em prédios públicos, contruídos pelo governo estadual e denominadas policlínicas, quando de sua inauguração pelo então secretário de estado da saúde, Marcus Pestana. Essas edificações foram transformadas em UPAS e entregues a duas entidades privadas: Fundação HU, uma fundação de apoio universitário, e Maternidade Terezinha de Jesus, uma instituição dita filantrópica mas vinculada à Faculdade Suprema, conhecida por suas mensalidades elevadíssimas. Não houve concurso público para os profissionais que lá exercem atividade fim para o serviço público municipal. Não houve critérios de admissão ou de demissão transparentes, como seria de esperar de um serviço público. O jurídico do Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora observa que essas UPAS provocam alta rotatividade de mão de obra médica, o que, sem dúvida, compromete a qualidade, a regularidade e a normalidade dos serviços essenciais que são oferecidos à população.

Depois das UPAS, a privataria do tucano Custódio Mattos ainda foi mais longe. As mesmas instituições receberam contratos para intermediar mão de obra em serviços públicos de saúde como a Regional Norte (policlínica de Benfica) e outras unidades. O pretexto? A contratação de mão de obra fácil, sem carreira, sem progressão funcional, sem garantias, já que ninguém prestaria concurso para médico da Prefeitura de Juiz de Fora, para trabalhar em condições duvidosas e com salário de mil trezentos e poucos reais líquidos. Contratos milionários foram feitos com essas instituições, mas as reivindicações dos médicos municipais referentes a plano de cargo, carreira e vencimento não foram atendidas.

A privataria tucana da saúde pública de Juiz de Fora continuou avançando. Atingiu o almoxarifado da saúde, a distribuição de medicamentos e até o arquivamento de prontuários médicos do SAME do HPS. Tudo com contratos caros e, em geral, com dispensa de licitação.

Agora está certo o avanço da privataria sobre os laboratórios de análises clínicas. A organização ASCISPES (consórcio? oscip? fundação privada?) já havia antes abocanhado os serviços de oftalmologia. Vantagem para a ASCISPES, ilusionismo da administração municipal e prejuízo a longo prazo para os médicos oftalmologistas que vão atender serviço público sem planos de cargo, carreira e vencimentos. Novamente não vemos a presença de editais de licitação e o desrespeito ao concurso público.

Há casos, já denunciados às autoridades competentes, de irregularidades trabalhistas. São exemplos a REMOCENTER, que se obstina em não reconhecer a vinculação trabalhista de seus empregados e dos médicos de estratégia de saúde de família, contratados para atuar nas UAPAS (atenção primária) da prefeitura de Juiz de Fora. Nesse caso está sendo constatado que o pagamento obedece a data aleatória, geralmente depois do quinto dia útil de cada mês, o que atesta a forma desrespeitosa com que esses profissionais são tratados.

Esse foi um ano ímpar. Os médicos fizeram um movimento exemplar, marcado por uma greve de 40 dias, por atos públicos, por manifestos e protestos. Tudo decidido em assembléia, com amplo direito de voz e voto assegurado a todos os interessados. A greve por salário digno e condições decentes de atendimento ao público foi jogada na ilegalidade, por ação de um representante do Ministério Público e do nosso notório TJMG, Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Mas os problemas que levaram à greve não foram resolvidos. A situação do SUS piora e fica mal disfarçada pela propaganda oficial do Prefeito (candidato à reeleição). O Prefeito Custódio Mattos, apesar da gravidade da situação na saúde NUNCA RECEBEU UMA REPRESENTAÇÃO CLASSISTA DOS MÉDICOS DA PREFEITURA DE JUIZ DE FORA PARA DISCUTIR A QUESTÃO E OS PROBLEMAS QUE ENVOLVEM A CATEGORIA. Apesar de solicitações formais desde 2009. Ele foge do diálogo e das negociações democráticas. Como podemos ter esperanças de soluções consistentes e robustas com o prefeito fugindo ao diálogo e à negociação.
A falta de negociações democráticas, a falta de transparência, o descaso com concursos públicos previstos na Constituição, a ignorância quanto à Lei das Licitações, são pré-requisitos para um futuro de normalidade e regularidade para o funcionamento do SUS. Abre mais caminho para favorecimentos indevidos ou ilícitos, para negociatas, para gastos exagerados por pouca coisa, do que para construir um serviço público regular e organizado de saúde.

Se Custódio despreza a organização do trabalho, deveria respeitar a Constituição Federal e a Lei de Licitações. Se quer melhorar o SUS, deveria conversar com o Sindicato dos Médicos e outros sindicatos que representam trabalhadores do setor público de saúde. Que o Natal traga iluminação à mente do Prefeito, e ele entenda a importância fundamenta dessas coisas da democracia e que seja inspirado a entender que a humildade é melhor do que a arrogância.

Fazemos ao prefeito Custódio Mattos votos de melhoras. Desejamos que os médicos se mobilizem e se unam, saibam construir pautas comuns e aprendam a conhecê-las para dize-las com clareza cristalina a todos, aos usuários, ao Prefeito e à secretária. Os médicos devem dar uma lição de tolerãncia e denunciar a intolerância de autoridades municipais, que são fruto da arrogância. Uma árvore ruim sempre dá maus frutos.

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