*** Fax Sindical *** 18/02/2013 -
- De: Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e Zona da Mata de MG -
Data: 18 de fevereiro de 2013 -
Memorando Sindical - Circular.-
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Assuntos: (1) Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora prepara a campanha salrial 2013 - por trabalho decente, atendimento decente, salário decente, carreira decente. (2) Políticos amazonenses tramam prostituir o exercício da Medicina no Brasil - qualquer um que chegue aqui com qualquer diploma, de qualquer parte do mundo poderá exercer a Medicina, não precisando nem provar proficiência na língua portuguesa. (3) Terceirização - como burlar a realização de concursos públicos, restaurar o empreguismo e o clientelismo e ainda gastar dinheiro da saúde sem controle.
*** Atenção médicos da Prefeitura de Juiz de Fora: Sindicato dos Médicos pretender iniciar negociações com a nova administração municipal ainda em fevereiro.
O Sindicato acredita que é muito grave a atual situação dos recursos humanos do SUS em Juiz de Fora. Isso afeta especialmente o trabalho médico e o desempenho do sistema público de saúde. Constitui consumada sandice ser indiferente às condições atuais, nas quais questões econômicas, sociais e funcionais tornaram o SUS incapaz de fixar profissionais. Por isso, as partes mais diretamente envolvidas, a administração municipal e a representação classista dos médicos devem buscar, pelo caminho democrático da negociação, uma saída consistente, digna e séria.
Nesse campo, todos havemos de convir, que a gestão anterior legou uma herança pesada, com seus desacertos e suas pseudonegociações recheadas da mais pura embromação. Seu resultado foi lançar a saúde pública em crise gravíssima, que afeta a maior parte da população da cidade, constatada por um fracasso retumbante reconhecido nas urnas.
Nesse sentido o Sindicato já protocolizou ofício junto à Secretaria de Administração e Recursos Humanos da Prefeitura de Juiz de Fora, solicitando ao secretário que receba representantes classistas para tratar do assunto. No ofício foram expostos os graves problemas que afetam o SUS em decorrência da falta de uma política decente de recursos humanos e da tensão trabalhista gerada na gestão municipal anterior, derivadas de sua inaptidão para negociações sérias e coerentes.
Após essa primeira conversação a situação das negociações deverá ser apreciada pela diretoria do sindicato e, ato continuo, será convocada uma assembleia geral dos médicos municipais para tomar deliberações sobre o encaminhamento do movimento.
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Terceirizaçäo, corrupção, clientelismo, empreguismo, caixa dois e inconstitucionalidades.
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ALECRIM E EDUARDO BRAGA NÃO GOSTAM NEM DE POBRES E NEM DE MÉDICOS
*** Alerta à classe médica - No dia 07 de fevereiro de 2013, jornais do Amazonas deram conta de que o senador daquele estado, Sr. Eduardo Braga, do PMDB e o Sr. Wilson Alecrim, secretário de saúde do governo amazonense e presidente do Conass (conselho nacional dos gestores estaduais de saúde) em reunião política realizada com prefeitos amazonenses, projetam mais um ataque contra a Medicina. Desta vez querem que os médicos que aparecerem em terras brasileiras com qualquer papel que digam ser um diploma de Medicina poderá atender aos cidadãos brasileiros. Para o Sr. Alecrim o país não pode esperar que as faculdades brasileiras possam formar seus médicos. Ele acha que a regulamentação da Medicina no Brasil é apenas uma questão corporativista e que qualquer que chegar aqui com um papel declarando que se formou em Medicina em qualquer canto do mundo poderá atender os pacientes do SUS. Segundo o Sr. Eduardo Braga a presidente Dilma irá pisotear todas as leis que regulamentam o exercício legal da Medicina no Brasil e vai assinar Medida Provisória que determinará a invenção de um quadro de médicos provisórios, com CRM provisório.
Essa postura revela desrespeito pela Medicina, pela classe médica e pelo povo amazonense, que não merece ser atendido por qualquer um que se diga médico. Alecrim e Eduardo Braga querem o apoio eleitoral dos 35 prefeitos amazonenses que participaram de seu comício, mas não gostariam que eles, seus filhos e netos fossem atendidos por um médico de pés descalços formado às pressas em algum lugar perdido no mapa e ganhando 3 salários mínimos por mês. Mas desejam isso para os brasileiros pobres que precisam do SUS. Os ribeirinhos do Amazonas poderão ser atendidos por médicos formados em 3 anos, contratados de forma precária, trabalhando precariamente e sem sequer saber corretamente o português. Será que isso valerá para outras profissões? Ou o "corporativismo" delas é mais forte?
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Terceirização ofende a Constituiçäo e abre as portas à corrupçäo
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Recursos públicos podem ter como destino caixinhas. O clientelismo favorece a politicagem eleitoreira. Conheça as razões ocultas e não confessadas dos gestores que apoiam a terceirização.
O senador Walter Pinheiro (PT-BA) apresentou um projeto-de-lei esta semana que pode ser o fim das OSCIPs, ONGs e cooperativas de trabalhadores.
O projeto pede o fim da terceirização das atividades de natureza permanente da administração pública direta e indireta. Pinheiro defende que a terceirização criou um gigantesco contingente de trabalhadores de segunda classe – os terceirizados – que não dispõem de qualquer proteção social.
Na prática, a proposta proíbe a administração pública de recrutar trabalhadores por meio de empresas interpostas ou cooperativa de trabalho. As exceções seriam obras, serviços de natureza eventual e coleta e processamento de lixo reciclável, unicamente no caso de existência de cooperativa formada em benefício dos trabalhadores. Acredita-se que poucas prefeituras do interior baiano não tenham contrato com uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, ONG – Organizações Não Governamentais ou com cooperativas de trabalhadores. A verdade é que essas instituições do chamado terceiro setor podem oferecer, aos gestores públicos, preços diferenciados, pois não recolhem as obrigações trabalhistas patronais e, na maioria das vezes oferecem um bom retorno ao propinoduto de prefeitos, governadores e entes governamentais em geral. Aos olhos do Ministério Público estadual e do Ministério Público do Trabalho, essas ligações de Prefeituras com organizações do terceiro setor não estão dentro da legalidade. Mas os tribunais de contas de vários estados têm aceitado os contratos. Até o SEBRAE, uma sociedade civil sem fins lucrativos, funcionando como serviço social autônomo, gerida pelo segmento empresarial e apoiada pelo poder público, com a missão de estimular e promover o desenvolvimento sustentável e a competitividade das empresas de pequeno porte, tem incentivado a criação de OSCIPs, com claro desvio dos seus objetivos primordiais.
http://jornaloexpresso.wordpress.com/2011/04/18/organizacoes-do-terceiro-setor-projeto-quer-acabar-com-terceirizacao-da-prestacao-de-servicos/
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Terceirizaçäo - ofensas à Constituição e desigualdade econômica e social
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Marcio Pochmann coloca em evidência mais uma irregularidade das terceirizações em serviços públicos: a quebra do princípio da isonomia.
Essa quebra da isonomia significa tratamento desigual, em salários, direitos e carreira entre pessoas que exercem a mesma função para o mesmo empregador ou instituiçäo. Isso ocorre sem que as autoridades encarregadas de zelar e fiscalizar o cumprimento da lei tomem providências.
Com pode o mesmo trabalho receber a metade devido à terceirização?
publicado em 14 de novembro de 2011 às
por Marcio Pochmann, do Valor
Econômico
Na virada do século XX, a avalanche neoliberal atingiu praticamente todo os países, cada um a seu modo. No âmbito do trabalho, por exemplo, o neoliberalismo atacou o desemprego gerado pela ausência do dinamismo econômico por meio da desregulamentação do mercado de trabalho. Naquela época, difundiu-se equivocadamente que a solução única para o desemprego seria a ocupação da mão de obra com salário menor e direito social e trabalhista a menos. Ou seja, uma alternativa inventada que procurava substituir o desemprego pela precarização do trabalho. No Brasil, a onda neoliberal a partir do final da década de 1980 não se traduziu em reforma ampla e profunda do marco regulatório do mercado de trabalho, ainda que não faltassem propostas nesse sentido. Mesmo assim, o fenômeno da terceirização da mão de obra terminou tendo efeito inegável com remuneração reduzida à metade dos que exercem a mesma função sem ser terceirizados e rotatividade no posto de trabalho superior a mais de duas vezes.
Em síntese, a terceirização do trabalho ganhou importância a partir dos anos 1990, coincidindo com o movimento de abertura comercial e de desregulação dos contratos de trabalho. Ao mesmo tempo, a estabilidade monetária alcançada a partir de 1994 vigorou associada à prevalência de ambiente competitivo desfavorável ao funcionamento do mercado interno. Ou seja, baixo dinamismo econômico, com contida geração de empregos em meio à taxa de câmbio valorizada e altas taxas de juros. Frente ao desemprego crescente e de ofertas de postos de trabalho precários, as possibilidades de atuação sindical exitosas foram diminutas.
Atualmente, o trabalho terceirizado perdeu importância relativa em relação. ao total do emprego formal gerado no Brasil, embora seja crescente a expansão absoluta dos empregos formais. Por serem postos de trabalho de menor remuneração e maio descontinuidade contratual, os empregos terceirizados atendem fundamentalmente à mão de obra de salário de base. Dessa forma, as ocupações criadas em torno do processo de terceirização do trabalho tendem a se concentrar na base da pirâmide social brasileira. O uso da terceirização da mão de obra tem se expandido fundamentalmente pelo setor de serviços, embora esteja presente em todos os ramos do setor produtivo. Na passagem para o século XXI, o país perseguiu duas dinâmicas distintas na terceirização do trabalho. A primeira observada durante a década de 1990, quando a combinação da recessão econômica com abertura comercial resultou no corte generalizado do emprego. Na sequência da estabilização monetária estabelecida pelo Plano Real, que trouxe impacto significativo na redefinição da estrutura de preços e competição no interior do setor produtivo, o Enunciado 331 do Tribunal Superior do Trabalho estabeleceu os setores cabíveis à terceirização da mão de obra, concedendo segurança jurídica às empresas.
Nesse contexto, a taxa de terceirização registrou patamar inédito, passando de cerca de 10% do
saldo líquido dos empregos gerados no estado de São Paulo no início da década de 1990 para mais de 90% no começo da década de 2000. Com salário equivalente à metade do recebido pelo trabalhador normal, os terceirizados avançaram sobre os poucos empregos formais gerados, sem que ocorresse redução da taxa total de desemprego – a qual saiu de 8,7%, em 1989, para 19,3%, em 1999, na Região Metropolitana de São Paulo. Não obstante o apelo à redução de custo do emprego da força de trabalho estimulado pela terceirização, inclusive com o aparecimento de empresas sem empregados, em meio às condições da estabilidade monetária com altas taxas de juros reais e valorização do real, o sindicalismo reagiu evitando o mal maior. Mesmo diante de competição interempresarial mais acirrada, houve elevação da taxa de sindicalização, com avanço das negociações coletivas de trabalho e inclusão na legislação social e trabalhista. A segunda dinâmica na trajetória da contratação de empregos formais ganhou importância a partir da década de 2000. Entre os anos de 2000 e 2010, a taxa de terceirização passou de 97,6% para 13,6% do saldo líquido de empregos formais gerados no estado de São Paulo. Nesse mesmo período, a taxa de desemprego caiu 28,5%, passando de 19,3%, em 1999, para 13,8%, em 2009, na Região Metropolitana de São Paulo. Apesar disso, o salário recebido pelo terceirizado continuou equivalendo apenas à metade daquele do trabalhador não terceirizado.
Os sindicatos tiveram conquistas importantes, com maior organização na construção dos acordos coletivos de trabalho. A Justiça do Trabalho, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Emprego e Trabalho assumiram papel fundamental. Mas sem regulação decente da terceirização, parcela das ocupações permanece submetida à precarização no Brasil. Como pode o mesmo trabalho exercido receber somente a metade, por conta de diferente regime de contratação? Caso mais grave parece ocorrer no interior do setor público, que licita a contratação da terceirização da mão de obra pagando até 10 vezes mais o custo de um servidor concursado para o exercício da mesma função.
O país precisa virar a página da regressão socioeconômica imposta pelo neoliberalismo no final do século XX. A redução no grau de desigualdade na contratação de trabalhadores terceirizados pode ocorrer. Com a regulação decente a ser urgentemente estabelecida poderia haver melhor cenário para evitar a manutenção das enormes distâncias nas condições de trabalho que separam os empregados terceirizados dos não terceirizados
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http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/marcio-pochmann-como-pode-o-mesmo-trabalho-exercido-receber-a-metade-devido-a-terceirizacao.html
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Fenam repudia prefeitos que querem recrutar médicos de formação duvidosa para atender o povo brasileiro
A matéria foi publicada no site da Fenam
A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) repudia a proposta da Frente Nacional de Prefeitos e da Associação Brasileira de Municípios de promover uma "chamada internacional" de médicos para trabalhar no Brasil. O presidente da entidade, Geraldo Ferreira, esclarece que a defasagem no número de profissionais para atender nas periferias das grandes cidades se deve à falta de subsídios e convênios que valorize o trabalho. "A maioria das prefeituras não tem condições de pagar os médicos. O governo precisa estimular a criação do piso salarial e plano de carreira, com repasses para os municípios carentes. Só dessa forma teremos contratação nacional adequada". Diante das dificuldades encontradas para contratar, os prefeitos recorreram ao Ministério da Saúde para viabilizar juridicamente a ideia de trazer formandos em medicina do exterior. O objetivo é flexibilizar a entrada desses profissionais e preencher todas as vagas para atender nas grandes periferias das cidades. Ferreira argumenta que seguir esse caminho não assegura o atendimento de qualidade para a população e dentro dos moldes do no nosso país. Para ele, o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (REVALIDA) é a única maneira de avaliar corretamente o ensino da medicina fora do Brasil. "Comprovadamente, os médicos formados no exterior não correspondem às necessidades do mercado brasileiro, a formação é duvidosa, precária e deficiente. Prova disso foi o resultado do último Revalida que admitiu apenas 14% dos inscritos", concluiu.
A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) repudia a proposta da Frente Nacional de Prefeitos e da Associação Brasileira de Municípios de promover uma "chamada internacional" de médicos para trabalhar no Brasil. O presidente da entidade, Geraldo Ferreira, esclarece que a defasagem no número de profissionais para atender nas periferias das grandes cidades se deve à falta de subsídios e convênios que valorize o trabalho. "A maioria das prefeituras não tem condições de pagar os médicos. O governo precisa estimular a criação do piso salarial e plano de carreira, com repasses para os municípios carentes. Só dessa forma teremos contratação nacional adequada". Diante das dificuldades encontradas para contratar, os prefeitos recorreram ao Ministério da Saúde para viabilizar juridicamente a ideia de trazer formandos em medicina do exterior. O objetivo é flexibilizar a entrada desses profissionais e preencher todas as vagas para atender nas grandes periferias das cidades. Ferreira argumenta que seguir esse caminho não assegura o atendimento de qualidade para a população e dentro dos moldes do no nosso país. Para ele, o Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituições de Educação Superior Estrangeiras (REVALIDA) é a única maneira de avaliar corretamente o ensino da medicina fora do Brasil. "Comprovadamente, os médicos formados no exterior não correspondem às necessidades do mercado brasileiro, a formação é duvidosa, precária e deficiente. Prova disso foi o resultado do último Revalida que admitiu apenas 14% dos inscritos", concluiu.
domingo, 10 de fevereiro de 2013
Fenam divulga novo piso salarial médico
http://portal.fenam2.org.br/portal/showData/40265430/01/2013
A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) calcula anualmente o piso salarial dos médicos e atualiza o valor para R$ 10.412,00, a partir de janeiro corrente, para 20 horas. A importância foi apoiada nas deliberações do XI Encontro Nacional das Entidades Médicas Nacionais (ENEM). O cálculo anual se tornou um referencial nas discussões e reivindicações da categoria, e, portanto, deve orientar as negociações coletivas de trabalho dos sindicatos.
O piso é uma bandeira de luta que o médico tem em suas mãos, e é resultante da atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulado no ano de 2012 em 6,10%. A entidade recomenda que o referencial integre as pautas de reivindicações em suas bases.
"Alguns Estados têm conseguido avançar rápido e até de forma surpreendente, como Piauí, Tocantins e Espírito Santo, onde os salários dos médicos ganharam dignidade. Experiências de luta devem ser compartilhadas e o sucesso de um sindicato pode ser o estopim para as conquistas de outro", explicou o presidente da FENAM, Geraldo Ferreira.
Conheça a história do Piso Nacional FENAMO piso nacional FENAM, surgiu da revisão da Lei 3.999 - DE 15 DE DEZEMBRO DE 1961, que estipulava que o salário dos médicos deveria corresponder ao valor de três salários mínimos. Na época, o salário satisfazia as necessidades da população, diferente do que ocorre atualmente.
De acordo com a Constituição Federal, o salário mínimo nacionalmente unificado deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social e deve ser reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo.
Em 1991, durante a gestão de Eurípedes Carvalho Balsanufo como presidente da FENAM, percebeu-se em conjunto com sindicatos médicos do Brasil a defasagem do salário mínimo para atender as demandas da sociedade e do profissional médico. Nascia ali, uma diretoria engajada na luta pela atualização desses valores.
A Federação Nacional dos Médicos (FENAM) calcula anualmente o piso salarial dos médicos e atualiza o valor para R$ 10.412,00, a partir de janeiro corrente, para 20 horas. A importância foi apoiada nas deliberações do XI Encontro Nacional das Entidades Médicas Nacionais (ENEM). O cálculo anual se tornou um referencial nas discussões e reivindicações da categoria, e, portanto, deve orientar as negociações coletivas de trabalho dos sindicatos.
O piso é uma bandeira de luta que o médico tem em suas mãos, e é resultante da atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumulado no ano de 2012 em 6,10%. A entidade recomenda que o referencial integre as pautas de reivindicações em suas bases.
"Alguns Estados têm conseguido avançar rápido e até de forma surpreendente, como Piauí, Tocantins e Espírito Santo, onde os salários dos médicos ganharam dignidade. Experiências de luta devem ser compartilhadas e o sucesso de um sindicato pode ser o estopim para as conquistas de outro", explicou o presidente da FENAM, Geraldo Ferreira.
Conheça a história do Piso Nacional FENAMO piso nacional FENAM, surgiu da revisão da Lei 3.999 - DE 15 DE DEZEMBRO DE 1961, que estipulava que o salário dos médicos deveria corresponder ao valor de três salários mínimos. Na época, o salário satisfazia as necessidades da população, diferente do que ocorre atualmente.
De acordo com a Constituição Federal, o salário mínimo nacionalmente unificado deve ser capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social e deve ser reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo.
Em 1991, durante a gestão de Eurípedes Carvalho Balsanufo como presidente da FENAM, percebeu-se em conjunto com sindicatos médicos do Brasil a defasagem do salário mínimo para atender as demandas da sociedade e do profissional médico. Nascia ali, uma diretoria engajada na luta pela atualização desses valores.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
Amazonas: Wilson Alecrim e Eduardo Braga não gostam de pobre e nem de médico
ALECRIM E EDUARDO BRAGA NÃO GOSTAM NEM DE POBRES E NEM DE MÉDICOS
*** Alerta à classe médica - No dia 07 de fevereiro de 2013, jornais do Amazonas deram conta de que o senador daquele estado, Sr. Eduardo Braga, do PMDB e o Sr. Wilson Alecrim, secretário de saúde do governo amazonense e presidente do Conass (conselho nacional dos gestores estaduais de saúde) em reunião política realizada com prefeitos amazonenses, projetam mais um ataque contra a Medicina. Desta vez querem que os médicos que aparecerem em terras brasileiras com qualquer papel que digam ser um diploma de Medicina poderá atender aos cidadãos brasileiros. Para o Sr. Alecrim o país não pode esperar que as faculdades brasileiras possam formar seus médicos. Ele acha que a regulamentação da Medicina no Brasil é apenas uma questão corporativista e que qualquer que chegar aqui com um papel declarando que se formou em Medicina em qualquer canto do mundo poderá atender os pacientes do SUS. Segundo o Sr. Eduardo Braga a presidente Dilma irá pisotear todas as leis que regulamentam o exercício legal da Medicina no Brasil e vai assinar Medida Provisória que determinará a invenção de um quadro de médicos provisórios, com CRM provisório.
Essa postura revela desrespeito pela Medicina, pela classe médica e pelo povo amazonense, que não merece ser atendido por qualquer um que se diga médico. Alecrim e Eduardo Braga querem o apoio eleitoral dos 35 prefeitos amazonenses que participaram de seu comício, mas não gostariam que eles, seus filhos e netos fossem atendidos por um médico de pés descalços formado às pressas em algum lugar perdido no mapa. Mas desejam isso para os brasileiros pobres que precisam do SUS.
*** Alerta à classe médica - No dia 07 de fevereiro de 2013, jornais do Amazonas deram conta de que o senador daquele estado, Sr. Eduardo Braga, do PMDB e o Sr. Wilson Alecrim, secretário de saúde do governo amazonense e presidente do Conass (conselho nacional dos gestores estaduais de saúde) em reunião política realizada com prefeitos amazonenses, projetam mais um ataque contra a Medicina. Desta vez querem que os médicos que aparecerem em terras brasileiras com qualquer papel que digam ser um diploma de Medicina poderá atender aos cidadãos brasileiros. Para o Sr. Alecrim o país não pode esperar que as faculdades brasileiras possam formar seus médicos. Ele acha que a regulamentação da Medicina no Brasil é apenas uma questão corporativista e que qualquer que chegar aqui com um papel declarando que se formou em Medicina em qualquer canto do mundo poderá atender os pacientes do SUS. Segundo o Sr. Eduardo Braga a presidente Dilma irá pisotear todas as leis que regulamentam o exercício legal da Medicina no Brasil e vai assinar Medida Provisória que determinará a invenção de um quadro de médicos provisórios, com CRM provisório.
Essa postura revela desrespeito pela Medicina, pela classe médica e pelo povo amazonense, que não merece ser atendido por qualquer um que se diga médico. Alecrim e Eduardo Braga querem o apoio eleitoral dos 35 prefeitos amazonenses que participaram de seu comício, mas não gostariam que eles, seus filhos e netos fossem atendidos por um médico de pés descalços formado às pressas em algum lugar perdido no mapa. Mas desejam isso para os brasileiros pobres que precisam do SUS.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
O drama do crack e seus desdobramentos
*** Fax Sindical *** 04/02/2013
Correspondência Sindical - Circular.
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Sobre o drama do crack, sua gravidade e desdobramentos
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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e Zona da Mata de MG
Data: 04 de janeiro de 2013
Quando a sociedade se incomoda e debate a enorme difusão do consumo de crack no Brasil e as suas consequências terríveis e amplas, na vida de tantas famílias, a internação involuntária, executada sob determinação judicial, é trazida à discussão.
Pontos de vista extremos são colocados por meio de declarações divulgadas das mais diferentes formas. Em um extremo encontramos aqueles que fazem declarações e buscam apoios para nunca se internar compulsoriamente. Essas declarações encontram respaldo até em autarquias públicas, como o Conselho Federal de Psicologia. Em outro extremo há defensores de sempre se internar de forma compulsória, opinião que tem adeptos entre autoridades, familiares de dependentes químicos e até dependentes que foram tratados de forma compulsória. Entre os dois extremos há posições intermediárias, inclusive a dos defensores do status quo atual, pelo qual é possível determinar a obrigação de fazer uma internação por meio de decisão judicial. Essas declarações são, por diferentes meios, postas no debate.
Em meio ao debate é conveniente destacar o que tem sido (ou não tem sido) feito pelo Ministério da Saúde. A ação do Ministério da Saúde parece invisível, dando à opinião pública a impressão de descaso e negligência. No discurso, vemos personagens da cúpula ministerial repetindo à exaustão o mantra de que é preciso ter CAPS em toda parte para atender a essa demanda tão visível e solicitada. Na prática vemos a rede de CAPS totalmente desprovida de meios para enfrentar a missão que o Ministério lhe atribui. Há precarização de mão de obra, por meio de terceirizações irregulares (até cooperativas, afrontando a CLT), uso de contratos provisórios, falta de concursos públicos, equipamentos físicos inadequados, falta de serviços de apoio e retaguarda e toda uma série de queixas que quem trabalha nessas instituições sabe muito bem.
Aqui publicamos duas matérias interessantes que vêm acrescentar mais um passo nessa discussão e no entendimento dessa realidade. A primeira é um artigo do psiquiatra e professor de Psiquiatria Dr. Antonio Geraldo, profissional competente e atuante no ensino, na clínica e nos movimentos sindical e associativo. O artigo do professor Antonio Geraldo chama-se "O crack e o Poder Público. A segunda uma reportagem que descreve como as internações compulsórias têm ocorrido nas clínicas privadas, cada vez mais procuradas diante das dificuldades de acesso, conhecidas e reconhecidas, aos serviços públicos de saúde mental. O título da matéria é "Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo". Vale a pena ler as duas.
O crack e o poder público
Rio - O Governo de São Paulo dominou o noticiário nos últimos dias liderando uma cruzada pela internação compulsória de dependentes de crack que vivem nas ruas. A intenção é boa, e a iniciativa explicita o interesse do poder público estadual em resolver a questão.
Há uma necessidade premente de que as autoridades se responsabilizem pelos doentes mentais. O débito do governo federal junto à população é enorme. Na maioria das vezes, o dependente de crack é padecente de algum transtorno mental e carece de atendimento médico, antes de qualquer coisa.
Há uma enormidade de moradores de rua portadores de esquizofrenia, bipolaridade ou psicoses de uma maneira geral e que não têm acesso a nenhum tratamento, lamentável consequência do fechamento de leitos hospitalares em psiquiatria, na contramão do bom-senso: qualificar profissionais e oferecer melhores condições de atendimento a todos. Se assim fosse, a internação compulsória seria apenas o início de um plano de tratamento muito mais complexo.
Se a internação involuntária for apenas o início de um processo de tratamento para aqueles que precisam de atendimento e não tem, a iniciativa do governo está correta. Caso contrário, a iniciativa não passa de uma ‘limpeza urbana’. Contudo, vale ressaltar que a internação requer indicação médica.
A Associação Brasileira de Psiquiatria já se colocou à disposição do governo federal para tratar do assunto de forma gratuita e do ponto de vista científico, e não ideológico. Não cabe aos médicos ficar contra ou a favor a qualquer tipo de internação. Como médicos, nosso papel é indicar a internação quando necessária e, a partir daí, buscarmos o melhor tratamento. A meta de qualquer governo deve ser acompanhamento pleno de dependentes químicos, pelo tempo que precisarem.
Antonio Geraldo da Silva
Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
Publicado no Jornal "O Dia" do Rio de Janeiro. Versão online disponível em:
http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/antonio-geraldo-da-silva-o-crack-e-o-poder-p%C3%BAblico-1.543377
03/02/2013 - 05h00
Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo
DE SÃO PAULO
O vício sempre levou Paulo (nome fictício), 34, aos extremos. Uma overdose quase o levou à morte há quatro anos.
Fazendeiro internado em SP vendia gado de dia e fumava crack à noite
Fila em plantão judicial para internação demora até cinco horas
Em outro teste de seus limites, recebeu uma mala com 1.500 comprimidos de ecstasy num aeroporto, que seriam distribuídos em São Paulo. Nunca foi preso.
Foi internado duas vezes. Na primeira delas, foi à clínica Greenwood, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), contra a vontade. Um mês ali custa cerca de R$ 30 mil.
Esse tipo de internação acontece em 90% dos casos, segundo o diretor do estabelecimento, Cirilo Tissot. Ele explica que mesmo os que entram por vontade própria passam posteriormente pela fase de negação. "É quando o dependente diz: 'gostei da clínica, mas agora quero sair'."
Nas internações, que duram até um ano e meio, antes da total aceitação do tratamento, os internos vivem também um período de depressão. "Isso acontece quando eles se dão conta de que não poderão nunca mais fazer aquilo que eles gostam, no caso, usar a droga."
Após o fim da internação, na unidade de Itapecerica, os pacientes iniciam um tratamento ambulatorial, com visitas à unidade chamada de hospital-dia, na capital paulista. Ali, os pacientes passam por consultas periódicas.
Há um ano e dez meses internado em Itapecerica, Paulo não usa crack, mas é viciado em cocaína e, por quase dois anos, consumiu um comprimido de ecstasy por dia.
Formado em sistemas de informação pelo Mackenzie, o jovem estudou no colégio Santa Cruz "a vida toda". Cresceu no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, na casa confortável do pai, um empresário.
Está na segunda internação. Na primeira, ficou por um ano e dez dias. "Fiquei mais dez meses limpo depois da internação, mas recaí em 2011. Tomei punhados de remédios sem prescrição e, depois, voltei a usar cocaína", lembra.
Antes da segunda passagem pela clínica, quebrou a empresa de investimentos que montou com amigos.
Também causou um desfalque "enorme" no negócio do pai. "Tinha carta branca para fazer investimentos da companhia, mas fiz uma operação errada e o rombo foi grande", disse. Foi nesse período que se acabou na cocaína.
DESCULPA PARA O VÍCIO
Em março de 2011, voltou a ser internado, agora por vontade própria.
"Comecei usando por curiosidade. Fiquei viciado e desenvolvi um estranho vício de querer me aproximar de bandidos", disse.
Ele afirma que uma desculpa para o vício é a doença da mãe, há doze anos em coma. "Eu contava a minha história até para os traficantes, para me vitimizar", conta.
Agora, três vezes por semana, ele passa o dia em sua casa, mas sempre acompanhado por uma pessoa designada pela clínica.
A artista plástica Juliana (nome fictício), 40, é uma das colegas de internação de Paulo. entrou ali por vontade própria. "Depois, me tornei involuntária. Ainda bem que minha família resistiu e eu fiquei", disse.
Moradora dos Jardins, ela diz que usava, em média, cinco gramas de cocaína por dia. Para manter o vício, roubava dinheiro do cofre do pai.
"Me drogo desde a adolescência". Nunca conseguiu ter emprego fixo nem terminou cursos universitários.
"Aos 40 anos, sou dependente dos meus pais."
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1225100-internacao-involuntaria-lidera-em-clinica-top-de-sao-paulo.shtml
Correspondência Sindical - Circular.
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Sobre o drama do crack, sua gravidade e desdobramentos
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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e Zona da Mata de MG
Data: 04 de janeiro de 2013
Quando a sociedade se incomoda e debate a enorme difusão do consumo de crack no Brasil e as suas consequências terríveis e amplas, na vida de tantas famílias, a internação involuntária, executada sob determinação judicial, é trazida à discussão.
Pontos de vista extremos são colocados por meio de declarações divulgadas das mais diferentes formas. Em um extremo encontramos aqueles que fazem declarações e buscam apoios para nunca se internar compulsoriamente. Essas declarações encontram respaldo até em autarquias públicas, como o Conselho Federal de Psicologia. Em outro extremo há defensores de sempre se internar de forma compulsória, opinião que tem adeptos entre autoridades, familiares de dependentes químicos e até dependentes que foram tratados de forma compulsória. Entre os dois extremos há posições intermediárias, inclusive a dos defensores do status quo atual, pelo qual é possível determinar a obrigação de fazer uma internação por meio de decisão judicial. Essas declarações são, por diferentes meios, postas no debate.
Em meio ao debate é conveniente destacar o que tem sido (ou não tem sido) feito pelo Ministério da Saúde. A ação do Ministério da Saúde parece invisível, dando à opinião pública a impressão de descaso e negligência. No discurso, vemos personagens da cúpula ministerial repetindo à exaustão o mantra de que é preciso ter CAPS em toda parte para atender a essa demanda tão visível e solicitada. Na prática vemos a rede de CAPS totalmente desprovida de meios para enfrentar a missão que o Ministério lhe atribui. Há precarização de mão de obra, por meio de terceirizações irregulares (até cooperativas, afrontando a CLT), uso de contratos provisórios, falta de concursos públicos, equipamentos físicos inadequados, falta de serviços de apoio e retaguarda e toda uma série de queixas que quem trabalha nessas instituições sabe muito bem.
Aqui publicamos duas matérias interessantes que vêm acrescentar mais um passo nessa discussão e no entendimento dessa realidade. A primeira é um artigo do psiquiatra e professor de Psiquiatria Dr. Antonio Geraldo, profissional competente e atuante no ensino, na clínica e nos movimentos sindical e associativo. O artigo do professor Antonio Geraldo chama-se "O crack e o Poder Público. A segunda uma reportagem que descreve como as internações compulsórias têm ocorrido nas clínicas privadas, cada vez mais procuradas diante das dificuldades de acesso, conhecidas e reconhecidas, aos serviços públicos de saúde mental. O título da matéria é "Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo". Vale a pena ler as duas.
O crack e o poder público
Rio - O Governo de São Paulo dominou o noticiário nos últimos dias liderando uma cruzada pela internação compulsória de dependentes de crack que vivem nas ruas. A intenção é boa, e a iniciativa explicita o interesse do poder público estadual em resolver a questão.
Há uma necessidade premente de que as autoridades se responsabilizem pelos doentes mentais. O débito do governo federal junto à população é enorme. Na maioria das vezes, o dependente de crack é padecente de algum transtorno mental e carece de atendimento médico, antes de qualquer coisa.
Há uma enormidade de moradores de rua portadores de esquizofrenia, bipolaridade ou psicoses de uma maneira geral e que não têm acesso a nenhum tratamento, lamentável consequência do fechamento de leitos hospitalares em psiquiatria, na contramão do bom-senso: qualificar profissionais e oferecer melhores condições de atendimento a todos. Se assim fosse, a internação compulsória seria apenas o início de um plano de tratamento muito mais complexo.
Se a internação involuntária for apenas o início de um processo de tratamento para aqueles que precisam de atendimento e não tem, a iniciativa do governo está correta. Caso contrário, a iniciativa não passa de uma ‘limpeza urbana’. Contudo, vale ressaltar que a internação requer indicação médica.
A Associação Brasileira de Psiquiatria já se colocou à disposição do governo federal para tratar do assunto de forma gratuita e do ponto de vista científico, e não ideológico. Não cabe aos médicos ficar contra ou a favor a qualquer tipo de internação. Como médicos, nosso papel é indicar a internação quando necessária e, a partir daí, buscarmos o melhor tratamento. A meta de qualquer governo deve ser acompanhamento pleno de dependentes químicos, pelo tempo que precisarem.
Antonio Geraldo da Silva
Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
Publicado no Jornal "O Dia" do Rio de Janeiro. Versão online disponível em:
http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/antonio-geraldo-da-silva-o-crack-e-o-poder-p%C3%BAblico-1.543377
03/02/2013 - 05h00
Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo
DE SÃO PAULO
O vício sempre levou Paulo (nome fictício), 34, aos extremos. Uma overdose quase o levou à morte há quatro anos.
Fazendeiro internado em SP vendia gado de dia e fumava crack à noite
Fila em plantão judicial para internação demora até cinco horas
Em outro teste de seus limites, recebeu uma mala com 1.500 comprimidos de ecstasy num aeroporto, que seriam distribuídos em São Paulo. Nunca foi preso.
Foi internado duas vezes. Na primeira delas, foi à clínica Greenwood, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), contra a vontade. Um mês ali custa cerca de R$ 30 mil.
Esse tipo de internação acontece em 90% dos casos, segundo o diretor do estabelecimento, Cirilo Tissot. Ele explica que mesmo os que entram por vontade própria passam posteriormente pela fase de negação. "É quando o dependente diz: 'gostei da clínica, mas agora quero sair'."
Nas internações, que duram até um ano e meio, antes da total aceitação do tratamento, os internos vivem também um período de depressão. "Isso acontece quando eles se dão conta de que não poderão nunca mais fazer aquilo que eles gostam, no caso, usar a droga."
Após o fim da internação, na unidade de Itapecerica, os pacientes iniciam um tratamento ambulatorial, com visitas à unidade chamada de hospital-dia, na capital paulista. Ali, os pacientes passam por consultas periódicas.
Há um ano e dez meses internado em Itapecerica, Paulo não usa crack, mas é viciado em cocaína e, por quase dois anos, consumiu um comprimido de ecstasy por dia.
Formado em sistemas de informação pelo Mackenzie, o jovem estudou no colégio Santa Cruz "a vida toda". Cresceu no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, na casa confortável do pai, um empresário.
Está na segunda internação. Na primeira, ficou por um ano e dez dias. "Fiquei mais dez meses limpo depois da internação, mas recaí em 2011. Tomei punhados de remédios sem prescrição e, depois, voltei a usar cocaína", lembra.
Antes da segunda passagem pela clínica, quebrou a empresa de investimentos que montou com amigos.
Também causou um desfalque "enorme" no negócio do pai. "Tinha carta branca para fazer investimentos da companhia, mas fiz uma operação errada e o rombo foi grande", disse. Foi nesse período que se acabou na cocaína.
DESCULPA PARA O VÍCIO
Em março de 2011, voltou a ser internado, agora por vontade própria.
"Comecei usando por curiosidade. Fiquei viciado e desenvolvi um estranho vício de querer me aproximar de bandidos", disse.
Ele afirma que uma desculpa para o vício é a doença da mãe, há doze anos em coma. "Eu contava a minha história até para os traficantes, para me vitimizar", conta.
Agora, três vezes por semana, ele passa o dia em sua casa, mas sempre acompanhado por uma pessoa designada pela clínica.
A artista plástica Juliana (nome fictício), 40, é uma das colegas de internação de Paulo. entrou ali por vontade própria. "Depois, me tornei involuntária. Ainda bem que minha família resistiu e eu fiquei", disse.
Moradora dos Jardins, ela diz que usava, em média, cinco gramas de cocaína por dia. Para manter o vício, roubava dinheiro do cofre do pai.
"Me drogo desde a adolescência". Nunca conseguiu ter emprego fixo nem terminou cursos universitários.
"Aos 40 anos, sou dependente dos meus pais."
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1225100-internacao-involuntaria-lidera-em-clinica-top-de-sao-paulo.shtml
O drama do crack e seus desdobramentos
*** Fax Sindical *** 04/02/2013
Correspondência Sindical - Circular.
_________________________________________________
Sobre o drama do crack, sua gravidade e desdobramentos
_________________________________________________
Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e Zona da Mata de MG
Data: 04 de janeiro de 2013
Quando a sociedade se incomoda e debate a enorme difusão do consumo de crack no Brasil e as suas consequências terríveis e amplas, na vida de tantas famílias, a internação involuntária, executada sob determinação judicial, é trazida à discussão.
Pontos de vista extremos são colocados por meio de declarações divulgadas das mais diferentes formas. Em um extremo encontramos aqueles que fazem declarações e buscam apoios para nunca se internar compulsoriamente. Essas declarações encontram respaldo até em autarquias públicas, como o Conselho Federal de Psicologia. Em outro extremo há defensores de sempre se internar de forma compulsória, opinião que tem adeptos entre autoridades, familiares de dependentes químicos e até dependentes que foram tratados de forma compulsória. Entre os dois extremos há posições intermediárias, inclusive a dos defensores do status quo atual, pelo qual é possível determinar a obrigação de fazer uma internação por meio de decisão judicial. Essas declarações são, por diferentes meios, postas no debate.
Em meio ao debate é conveniente destacar o que tem sido (ou não tem sido) feito pelo Ministério da Saúde. A ação do Ministério da Saúde parece invisível, dando à opinião pública a impressão de descaso e negligência. No discurso, vemos personagens da cúpula ministerial repetindo à exaustão o mantra de que é preciso ter CAPS em toda parte para atender a essa demanda tão visível e solicitada. Na prática vemos a rede de CAPS totalmente desprovida de meios para enfrentar a missão que o Ministério lhe atribui. Há precarização de mão de obra, por meio de terceirizações irregulares (até cooperativas, afrontando a CLT), uso de contratos provisórios, falta de concursos públicos, equipamentos físicos inadequados, falta de serviços de apoio e retaguarda e toda uma série de queixas que quem trabalha nessas instituições sabe muito bem.
Aqui publicamos duas matérias interessantes que vêm acrescentar mais um passo nessa discussão e no entendimento dessa realidade. A primeira é um artigo do psiquiatra e professor de Psiquiatria Dr. Antonio Geraldo, profissional competente e atuante no ensino, na clínica e nos movimentos sindical e associativo. O artigo do professor Antonio Geraldo chama-se "O crack e o Poder Público. A segunda uma reportagem que descreve como as internações compulsórias têm ocorrido nas clínicas privadas, cada vez mais procuradas diante das dificuldades de acesso, conhecidas e reconhecidas, aos serviços públicos de saúde mental. O título da matéria é "Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo". Vale a pena ler as duas.
O crack e o poder público
Rio - O Governo de São Paulo dominou o noticiário nos últimos dias liderando uma cruzada pela internação compulsória de dependentes de crack que vivem nas ruas. A intenção é boa, e a iniciativa explicita o interesse do poder público estadual em resolver a questão.
Há uma necessidade premente de que as autoridades se responsabilizem pelos doentes mentais. O débito do governo federal junto à população é enorme. Na maioria das vezes, o dependente de crack é padecente de algum transtorno mental e carece de atendimento médico, antes de qualquer coisa.
Há uma enormidade de moradores de rua portadores de esquizofrenia, bipolaridade ou psicoses de uma maneira geral e que não têm acesso a nenhum tratamento, lamentável consequência do fechamento de leitos hospitalares em psiquiatria, na contramão do bom-senso: qualificar profissionais e oferecer melhores condições de atendimento a todos. Se assim fosse, a internação compulsória seria apenas o início de um plano de tratamento muito mais complexo.
Se a internação involuntária for apenas o início de um processo de tratamento para aqueles que precisam de atendimento e não tem, a iniciativa do governo está correta. Caso contrário, a iniciativa não passa de uma ‘limpeza urbana’. Contudo, vale ressaltar que a internação requer indicação médica.
A Associação Brasileira de Psiquiatria já se colocou à disposição do governo federal para tratar do assunto de forma gratuita e do ponto de vista científico, e não ideológico. Não cabe aos médicos ficar contra ou a favor a qualquer tipo de internação. Como médicos, nosso papel é indicar a internação quando necessária e, a partir daí, buscarmos o melhor tratamento. A meta de qualquer governo deve ser acompanhamento pleno de dependentes químicos, pelo tempo que precisarem.
Antonio Geraldo da Silva
Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
Publicado no Jornal "O Dia" do Rio de Janeiro. Versão online disponível em:
http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/antonio-geraldo-da-silva-o-crack-e-o-poder-p%C3%BAblico-1.543377
03/02/2013 - 05h00
Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo
DE SÃO PAULO
O vício sempre levou Paulo (nome fictício), 34, aos extremos. Uma overdose quase o levou à morte há quatro anos.
Fazendeiro internado em SP vendia gado de dia e fumava crack à noite
Fila em plantão judicial para internação demora até cinco horas
Em outro teste de seus limites, recebeu uma mala com 1.500 comprimidos de ecstasy num aeroporto, que seriam distribuídos em São Paulo. Nunca foi preso.
Foi internado duas vezes. Na primeira delas, foi à clínica Greenwood, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), contra a vontade. Um mês ali custa cerca de R$ 30 mil.
Esse tipo de internação acontece em 90% dos casos, segundo o diretor do estabelecimento, Cirilo Tissot. Ele explica que mesmo os que entram por vontade própria passam posteriormente pela fase de negação. "É quando o dependente diz: 'gostei da clínica, mas agora quero sair'."
Nas internações, que duram até um ano e meio, antes da total aceitação do tratamento, os internos vivem também um período de depressão. "Isso acontece quando eles se dão conta de que não poderão nunca mais fazer aquilo que eles gostam, no caso, usar a droga."
Após o fim da internação, na unidade de Itapecerica, os pacientes iniciam um tratamento ambulatorial, com visitas à unidade chamada de hospital-dia, na capital paulista. Ali, os pacientes passam por consultas periódicas.
Há um ano e dez meses internado em Itapecerica, Paulo não usa crack, mas é viciado em cocaína e, por quase dois anos, consumiu um comprimido de ecstasy por dia.
Formado em sistemas de informação pelo Mackenzie, o jovem estudou no colégio Santa Cruz "a vida toda". Cresceu no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, na casa confortável do pai, um empresário.
Está na segunda internação. Na primeira, ficou por um ano e dez dias. "Fiquei mais dez meses limpo depois da internação, mas recaí em 2011. Tomei punhados de remédios sem prescrição e, depois, voltei a usar cocaína", lembra.
Antes da segunda passagem pela clínica, quebrou a empresa de investimentos que montou com amigos.
Também causou um desfalque "enorme" no negócio do pai. "Tinha carta branca para fazer investimentos da companhia, mas fiz uma operação errada e o rombo foi grande", disse. Foi nesse período que se acabou na cocaína.
DESCULPA PARA O VÍCIO
Em março de 2011, voltou a ser internado, agora por vontade própria.
"Comecei usando por curiosidade. Fiquei viciado e desenvolvi um estranho vício de querer me aproximar de bandidos", disse.
Ele afirma que uma desculpa para o vício é a doença da mãe, há doze anos em coma. "Eu contava a minha história até para os traficantes, para me vitimizar", conta.
Agora, três vezes por semana, ele passa o dia em sua casa, mas sempre acompanhado por uma pessoa designada pela clínica.
A artista plástica Juliana (nome fictício), 40, é uma das colegas de internação de Paulo. entrou ali por vontade própria. "Depois, me tornei involuntária. Ainda bem que minha família resistiu e eu fiquei", disse.
Moradora dos Jardins, ela diz que usava, em média, cinco gramas de cocaína por dia. Para manter o vício, roubava dinheiro do cofre do pai.
"Me drogo desde a adolescência". Nunca conseguiu ter emprego fixo nem terminou cursos universitários.
"Aos 40 anos, sou dependente dos meus pais."
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1225100-internacao-involuntaria-lidera-em-clinica-top-de-sao-paulo.shtml
Correspondência Sindical - Circular.
_________________________________________________
Sobre o drama do crack, sua gravidade e desdobramentos
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Sindicato dos Médicos de Juiz de Fora e Zona da Mata de MG
Data: 04 de janeiro de 2013
Quando a sociedade se incomoda e debate a enorme difusão do consumo de crack no Brasil e as suas consequências terríveis e amplas, na vida de tantas famílias, a internação involuntária, executada sob determinação judicial, é trazida à discussão.
Pontos de vista extremos são colocados por meio de declarações divulgadas das mais diferentes formas. Em um extremo encontramos aqueles que fazem declarações e buscam apoios para nunca se internar compulsoriamente. Essas declarações encontram respaldo até em autarquias públicas, como o Conselho Federal de Psicologia. Em outro extremo há defensores de sempre se internar de forma compulsória, opinião que tem adeptos entre autoridades, familiares de dependentes químicos e até dependentes que foram tratados de forma compulsória. Entre os dois extremos há posições intermediárias, inclusive a dos defensores do status quo atual, pelo qual é possível determinar a obrigação de fazer uma internação por meio de decisão judicial. Essas declarações são, por diferentes meios, postas no debate.
Em meio ao debate é conveniente destacar o que tem sido (ou não tem sido) feito pelo Ministério da Saúde. A ação do Ministério da Saúde parece invisível, dando à opinião pública a impressão de descaso e negligência. No discurso, vemos personagens da cúpula ministerial repetindo à exaustão o mantra de que é preciso ter CAPS em toda parte para atender a essa demanda tão visível e solicitada. Na prática vemos a rede de CAPS totalmente desprovida de meios para enfrentar a missão que o Ministério lhe atribui. Há precarização de mão de obra, por meio de terceirizações irregulares (até cooperativas, afrontando a CLT), uso de contratos provisórios, falta de concursos públicos, equipamentos físicos inadequados, falta de serviços de apoio e retaguarda e toda uma série de queixas que quem trabalha nessas instituições sabe muito bem.
Aqui publicamos duas matérias interessantes que vêm acrescentar mais um passo nessa discussão e no entendimento dessa realidade. A primeira é um artigo do psiquiatra e professor de Psiquiatria Dr. Antonio Geraldo, profissional competente e atuante no ensino, na clínica e nos movimentos sindical e associativo. O artigo do professor Antonio Geraldo chama-se "O crack e o Poder Público. A segunda uma reportagem que descreve como as internações compulsórias têm ocorrido nas clínicas privadas, cada vez mais procuradas diante das dificuldades de acesso, conhecidas e reconhecidas, aos serviços públicos de saúde mental. O título da matéria é "Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo". Vale a pena ler as duas.
O crack e o poder público
Rio - O Governo de São Paulo dominou o noticiário nos últimos dias liderando uma cruzada pela internação compulsória de dependentes de crack que vivem nas ruas. A intenção é boa, e a iniciativa explicita o interesse do poder público estadual em resolver a questão.
Há uma necessidade premente de que as autoridades se responsabilizem pelos doentes mentais. O débito do governo federal junto à população é enorme. Na maioria das vezes, o dependente de crack é padecente de algum transtorno mental e carece de atendimento médico, antes de qualquer coisa.
Há uma enormidade de moradores de rua portadores de esquizofrenia, bipolaridade ou psicoses de uma maneira geral e que não têm acesso a nenhum tratamento, lamentável consequência do fechamento de leitos hospitalares em psiquiatria, na contramão do bom-senso: qualificar profissionais e oferecer melhores condições de atendimento a todos. Se assim fosse, a internação compulsória seria apenas o início de um plano de tratamento muito mais complexo.
Se a internação involuntária for apenas o início de um processo de tratamento para aqueles que precisam de atendimento e não tem, a iniciativa do governo está correta. Caso contrário, a iniciativa não passa de uma ‘limpeza urbana’. Contudo, vale ressaltar que a internação requer indicação médica.
A Associação Brasileira de Psiquiatria já se colocou à disposição do governo federal para tratar do assunto de forma gratuita e do ponto de vista científico, e não ideológico. Não cabe aos médicos ficar contra ou a favor a qualquer tipo de internação. Como médicos, nosso papel é indicar a internação quando necessária e, a partir daí, buscarmos o melhor tratamento. A meta de qualquer governo deve ser acompanhamento pleno de dependentes químicos, pelo tempo que precisarem.
Antonio Geraldo da Silva
Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria
Publicado no Jornal "O Dia" do Rio de Janeiro. Versão online disponível em:
http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/antonio-geraldo-da-silva-o-crack-e-o-poder-p%C3%BAblico-1.543377
03/02/2013 - 05h00
Internação involuntária lidera em clínica 'top' de São Paulo
DE SÃO PAULO
O vício sempre levou Paulo (nome fictício), 34, aos extremos. Uma overdose quase o levou à morte há quatro anos.
Fazendeiro internado em SP vendia gado de dia e fumava crack à noite
Fila em plantão judicial para internação demora até cinco horas
Em outro teste de seus limites, recebeu uma mala com 1.500 comprimidos de ecstasy num aeroporto, que seriam distribuídos em São Paulo. Nunca foi preso.
Foi internado duas vezes. Na primeira delas, foi à clínica Greenwood, em Itapecerica da Serra (Grande São Paulo), contra a vontade. Um mês ali custa cerca de R$ 30 mil.
Esse tipo de internação acontece em 90% dos casos, segundo o diretor do estabelecimento, Cirilo Tissot. Ele explica que mesmo os que entram por vontade própria passam posteriormente pela fase de negação. "É quando o dependente diz: 'gostei da clínica, mas agora quero sair'."
Nas internações, que duram até um ano e meio, antes da total aceitação do tratamento, os internos vivem também um período de depressão. "Isso acontece quando eles se dão conta de que não poderão nunca mais fazer aquilo que eles gostam, no caso, usar a droga."
Após o fim da internação, na unidade de Itapecerica, os pacientes iniciam um tratamento ambulatorial, com visitas à unidade chamada de hospital-dia, na capital paulista. Ali, os pacientes passam por consultas periódicas.
Há um ano e dez meses internado em Itapecerica, Paulo não usa crack, mas é viciado em cocaína e, por quase dois anos, consumiu um comprimido de ecstasy por dia.
Formado em sistemas de informação pelo Mackenzie, o jovem estudou no colégio Santa Cruz "a vida toda". Cresceu no Alto de Pinheiros, zona oeste paulistana, na casa confortável do pai, um empresário.
Está na segunda internação. Na primeira, ficou por um ano e dez dias. "Fiquei mais dez meses limpo depois da internação, mas recaí em 2011. Tomei punhados de remédios sem prescrição e, depois, voltei a usar cocaína", lembra.
Antes da segunda passagem pela clínica, quebrou a empresa de investimentos que montou com amigos.
Também causou um desfalque "enorme" no negócio do pai. "Tinha carta branca para fazer investimentos da companhia, mas fiz uma operação errada e o rombo foi grande", disse. Foi nesse período que se acabou na cocaína.
DESCULPA PARA O VÍCIO
Em março de 2011, voltou a ser internado, agora por vontade própria.
"Comecei usando por curiosidade. Fiquei viciado e desenvolvi um estranho vício de querer me aproximar de bandidos", disse.
Ele afirma que uma desculpa para o vício é a doença da mãe, há doze anos em coma. "Eu contava a minha história até para os traficantes, para me vitimizar", conta.
Agora, três vezes por semana, ele passa o dia em sua casa, mas sempre acompanhado por uma pessoa designada pela clínica.
A artista plástica Juliana (nome fictício), 40, é uma das colegas de internação de Paulo. entrou ali por vontade própria. "Depois, me tornei involuntária. Ainda bem que minha família resistiu e eu fiquei", disse.
Moradora dos Jardins, ela diz que usava, em média, cinco gramas de cocaína por dia. Para manter o vício, roubava dinheiro do cofre do pai.
"Me drogo desde a adolescência". Nunca conseguiu ter emprego fixo nem terminou cursos universitários.
"Aos 40 anos, sou dependente dos meus pais."
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1225100-internacao-involuntaria-lidera-em-clinica-top-de-sao-paulo.shtml
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